Longe tempo, vida volta e trespassa
Estica a mentira, padece e vai tecer
Volta o risco, largo feitiço que esvoaça
Queima injúrias, raras cinzas perder
Molda-se a chama, o corpo abraçar
Pintura sincera, cargo trabalhoso cegar
Corre sangue, animal sentido caça
Pensa dor, veneno doce a correr
Senta-se o medo, velha cruz ultrapassa
Estátua ambígua, falsidades escurecer
Sonho de nós, uns sorrisos, pensa acalmar
Nudez vaga e sólida, só escondido olhar
Pérola de chumbo, entra, sai, escorraça
Parte e rompe a visão, tem de temer
De neófito voz, chama crua e amassa
Esconderijo solta e abre, traz para ver
Confiança diminuta, cérebro fraco bloquear
Escrita personalizada, poeta triste atrasar
Voos migratórios
Há 11 anos
2 comentários:
mt bem rodrigo!!! tens mesmo imenso talento! quem diria!!!lol!
sou tua fã! bjo mónica m.
Bem, nem sei por onde começar... deve ser pela admiração do espanto!
Esta composição está no mínimo brutal pelo seu próprio sentido de brutalidade... as palavras tropeçam por sensações reprovadoras, mordazes, sanguinolentas de um processo caracteristico da cura poética.
Para além da maturidade da escrita que dominas neste poema, penso que surge como um extravasar das coisas do mundo, das pessoas e da sua própria natureza.
A verdade é que nós humanos compreendemos que nos devemos adaptar ao mundo que nos rodeia e não esperar que ele muda por nós, contudo somos quase sempre nós os responsáveis pelas alterações da estabilidade real... assim, somos também os responsáveis/os criadores da própria transformação.
Um abraço daquele que se perde no longe tempo, onde os sonhos eram pérolas e o verão não acabava...
como é bom saber que estás tão vivo e acordado!
:)
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